2 de Outubro de 2026
A cotação dos porcos em Portugal baixou 0,06€/kg carcaça para 1,98€/kg carcaça na Bolsa do Porco, na segunda metade de Setembro. Este movimento de descida já é habitual nesta altura do ano, mas a descida foi mais ampla do que o esperado, pois nas semanas anteriores havia muito pouca oferta de porcos e com pouco peso, e num curto espaço de tempo, arrastados pela forte descida do mercado alemão, todos os restantes mercados da Europa viram-se forçados a acompanhar.
Em Portugal e Espanha, os porcos continuam com pesos muito abaixo dos níveis habituais, o que é demonstrativo de uma menor oferta e de uma folga no mercado. Todavia, estes dados não foram suficientes para “segurar” a cotação dos porcos em ambos os países, já que a Espanha, ao ter de colocar muita carne no mercado interno da U.E., tem de competir com a carne alemã e esta está muito mais barata, e a cotação dos porcos de abate desceu.
Os matadouros alemães, apesar de haver alguma falta de porcos nalgumas regiões do país, principalmente no sul, tiveram de ganhar competitividade para conseguir vender a sua carne e pressionaram para que houvesse uma forte decida no mercado (-15 cêntimos). Esta descida influenciou todos os mercados europeus, tendo havido descidas muito significativas em todos os países do centro e norte da Europa nesta última quinzena de Setembro.
Portanto, não é tanto pelos movimentos de oferta e procura que a cotação desceu. É mesmo pelos diferenciais de preço entre a Alemanha e os outros países.
Em Portugal há produtores que estão em resultados negativos, e esta descida da cotação preocupa ainda mais do que é normal noutros anos, já que vai coincidir com um aumento dos custos da alimentação animal e dos custos energéticos (luz e combustíveis), pelo que está criado o caldo de cultura para que se entre numa espiral de perdas mais acentuadas.
Adicionalmente, e porque começaram a baixar as temperaturas, haverá um aumento do peso dos porcos. Em todo o caso, e porque os pesos são muito baixos em comparação com os anos anteriores, haverá alguma folga para a quantidade total de carne que será colocada no mercado e este é um sinal positivo.
Veremos o que nos trazem as próximas semanas e meses, até porque a U.E. vai continuar a competir com americanos e brasileiros nos mercados mundiais para a colocação de carne, onde está em desvantagem pois os outros têm preços mais baixos e, evidentemente, mais competitivos.
No que diz respeito à evolução das cotações europeias do porco, em Espanha a cotação desceu 0,05€/kg PV (0,067€/kg carcaça) para 1,315€/kg PV na segunda quinzena de Setembro (1,753€/kg carcaça). De acordo com as informações da Mercolérida, o peso subiu 1,45Kg em carcaça nesta quinzena e está 3,5Kg abaixo do peso do ano passado nesta mesma altura.
Na Alemanha a cotação baixou 0,15€/kg carcaça para 1,45€/kg carcaça na segunda quinzena de Setembro. Os pesos em carcaça subiram 200g para os 98,1kg e está 100g abaixo do peso do ano passado. A forte correcção do preço não impulsionou as vendas de carne, que se mantêm pouco dinâmicas. A descida desta quinzena deverá permitir que o preço se mantenha estável durante várias semanas.
Nos Países Baixos a cotação desceu 0,15€/kg carcaça para 1,21€/kg carcaça na segunda metade de Setembro.
Na Bélgica a cotação desceu 0,12€/kg PV para 1,07€/kg PV na segunda quinzena de Setembro. Segundo informa o MPF, o mercado do porco de abate continua relativamente equilibrado: os matadouros procuram activamente porcos para abate, e os volumes disponíveis são escoados sem dificuldade. As tensões concentram-se mais no mercado da carne, onde os preços recuam, enquanto os matadouros reportam margens cada vez mais deterioradas.
Na Dinamarca a cotação manteve-se em 0,92€/kg carcaça na primeira quinzena de Setembro.
Em França, a cotação desceu 0,111€/kg carcaça para 1,792€/kg carcaça na segunda metade de Setembro. Os pesos subiram 500g para 95,9kg e estão 600g abaixo do peso de 2025. A queda dos preços continua e intensifica-se. Apesar de alguma resistência, os vendedores acabaram por ter de ceder e aceitar uma quebra significativa. Ao contrário das semanas anteriores, os compradores também se limitaram às suas quotas mínimas, um sinal de que o abastecimento começa a ser suficiente para satisfazer as suas necessidades. É preciso reconhecer que, é sobretudo a pressão do mercado europeu da carne que dita a tendência. De facto, considerando os volumes e os pesos, o mercado francês mantém-se numa situação de oferta limitada.
